Museu da Horta
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As mãos de Euclides Rosa

Do acervo do Museu da Horta, destaca-se a coleção única do mundo de trabalhos realizados em miolo de figueira pelo  faialense Euclides  Silveira  da Rosa . Dedicada ao trabalho singular desenvolvido por este homem  é a exposição permanente do Museu constituída por peças iniciadas em 1936 e executadas ao longo de 10 anos . Esta exposição , na sua origem,  era composta por 70 miniaturas , contanto 35000 fragmentos de miolo de figueira e pesando tão só 1 200 gramas. Algumas destas peças apresentavam movimento, feito através de mecanismos de relojoaria montados pelo próprio autor na base das vitrinas . Figuram em miniatura uma aldeia açoriana, o litoral paulista, monumentos, antigos ofícios e costumes nacionais, a evolução da navegação, vasos de guerra, barcos de cruzeiro, embarcações da época dos descobrimentos e o primeiro avião comercial que efetuou a travessia do Atlântico Norte via Açores, Yankee Clipper PAA.

 

Nota biográfica do autor:

Euclides Silveira da Rosa nasceu na ilha do Faial, arquipélago dos Açores, em 1910, e faleceu em São Paulo, Brasil, a 16 de Outubro de 1979. Iniciou a sua atividade profissional em 1929, na companhia norte americana  Commercial Cable Cº, na Horta, como praticante de operador telegráfico, ao mesmo tempo fazia os seus estudos liceais. Passados quatro anos na categoria de praticante, é nomeado operador, mantendo-se neste lugar por oito anos. Depois de obter o Diploma de engenheiro mecânico eletrotécnico no Instituto Internacional de Lisboa, é promovido  a mecânico chefe , onde permenece nove anos, resignando da companhia em outubro de 1946  para se dedicar à vida de artista.

Desde criança evidenciou habilidade para realizar esculturas em miniatura. Encontra mais tarde um trabalho antigo em miolo de figueira e verifica que esta é a matéria prima ideal para as suas esculturas uma vez que a cor não se altera com a luz, nem com o passar dos anos e que é uma matéria bastante abundante nos Açores.

Os trabalhos em miolo de figueira devem ter nascido no seio dos conventos de religiosas que a cidade da Horta conhecera ativos entre o séc. XVI e XIX , num ambiente tranquilo, que se coadunava com a necesssária persistência e delicadeza que a fragilidade da matéria prima exigia. Com o encerramento dos conventos, a partir de 1834, começam a proliferar no meio urbano os executantes destes verdadeiros  artefatos de luxo; homens e mulheres materializavam em pedacinhos de miolo de figueira formas e criações originais , arranjos florais, barcos , monumentos, símbolos heráldicos e religiosos, elementos ligados às tecnologias  tradicionais, típicas figuras regionais, etc.

Na década de quarenta do séc. XIX, algumas senhoras fizeram trabalhos surpreendentes; uma Menção Honrosa foi alcançada na Exposição Mundial de Paris, realizada em 1855, levado pelo Duque D'Ávila e Bolama. Desde então, a atividade não mais cessou na ilha do Faial .

O trabalho em miolo de figueira consiste em esculturas- miniaturas- produzidas com a matéria prima extraída nos meses de novembro a fevereiro , do interior dos ramos adultos da figueira, ou seja na altura em que a seiva deixando subir o miolo se conserva branco, secando depois uma hora ao sol.

 Para a execução deste trabalho , utilizam-se diversos instrumentos - lentes, pinças, navalhas, alfinetes, compassos , réguas , alisadores e a traçadeira (peça específica), cola líquida que substitui  a goma arábica usada no passado. Cortado o miolo de figueira em pequenas lâminas, muito finas , seccionam-se os fragmentos que são unidos uns aos outros com cola, aplicada com a ponta de um alfinete, até se definir a forma desejada. Sendo uma matéria prima muito delicada, não só o trabalho , mas também a preservação e a conservação destas peças são muito exigentes , em termos de humidade , temperatura e de exposição à luz solar.

 

 

 

 

Data Inicial
1994-07-01
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